quinta-feira, 29 de novembro de 2007

FORA BENASSULY

Depois da performance matinal do delegado geral Raimundo Benassuly na sessão do senado que discutiu o caso de Abaetetuba, espera-se ele tenha saúde mental suficiente para entregar o cargo à governadora assim que chegar em Nova Déli.
Ouça aqui as declarações dele, a reação da governadora, e tire suas próprias conclusões.

BLOG DO JUVÊNCIO

E FOI O QUE ACONTECEU!!

Delegado que chegou ao cargo travestido por um currículo com passagem pela defesa dos direitos humanos, CAÍ...

Pediu demissão do cargo nesta quarta feira o delegado geral BENASSULY, aquele que disse que a menina era débil mental.

Retrato do Governo ANA BARBALHO!!!

CASO ABAETETUBA

IMPRENSA BARBALHISTA TENTA DESVIAR O FOCO

Diante do aprofundamento do escândalo da violência e desrespeito aos direitos humanos no Pará, com foco no escabroso caso da tortura e estupro da garota L. numa cela da delegacia de Abaetetuba, um determinado tipo de imprensa - chapa branca, por certo - começa a articular um discursos diversionista. A síntese é a seguinte e desdobra-se em duas idéias-força: 1. se todos são culpados, não há responsáveis a punir; e 2. A vítima, violada e ultrajada, na verdade contribuiu para a ocorrência do fato, logo deve ser também considerada culpada.
Na edição de hoje do Diário do Pará, veículo do clã Barbalho, tenta minimizar os impactos negativos à imagem do governo Ana Julia, recorrendo a uma clara estratégia dissimulatória.
Primeiro, na coluna mais conceituada do jornal (Repórter Diário), reproduz uma pretensa afirmação do bispo de Abaetetuba, D. Flávio Giovenalli, segundo a qual "todo mundo errou", tornando amplamente difusa a averiguação de responsabilidades. Ora, se o governo, a Justiça, o Ministério Público, a Defensoria, e a própria família da garota concorreram para a tragédia, talvez seja melhor pular esse capítulo, tentar seguir a vida e até utilizar a situação para conseguir melhorias para o povo da cidade. Fica evidente que as declarações do bispo foram retiradas do contexto, para reforçar um evidente flerte com a uma velha conhecida dos paraenses, a impunidade dos crimes contra os pobres.
Mais adiante, na cobertura específica do escândalo , surgiu uma matéria aparentemente despretenciosa, mas de elevada carga de preconceito. O título não deixa dúvidas:"Para moradores, polícia cumpriu seu dever". Em seguida, desfilam vários "testemunhos" de moradores de Abaetetuba louvando a ação da polícia e desancando a vítima, afinal uma "adolescente revoltada, perigosa e que causava vários problemas".
Veja essa pérola atribuída a uma certa Ana Lima, dona-de-casa: “A culpa é do governo, que não colocou nas delegacias celas para as mulheres. Aqui na delegacia sempre as mulheres ficavam presas com os homens e nunca houve problema. Essa é a primeira vez. Os policiais apenas cumpriram sua obrigação. Essa menina não presta”.
Por tudo isso, não se deve entender a declaração desastrosa do delegado-geral Raimundo Benassuly como um simples ato falho. Atribuir "debilidade mental" à garota violentada e humilhada sob a guarda do Estado é de uma desfaçatez sem tamanho. Depois de ultrajar seu corpo, parte-se para vilipendiar sua imagem, seu decoro como mulher e ser humano. Numa palavra, um escárnio inominável.
Tratar o episódio como uma "falha de comunicação" ou um "mal-entendido" apenas jogará mais lenha na fogueira de um escândalo que parece se retroalimentar a cada dia.
A opinião pública e a sociedade civil têm um papel fundamental. Guardar silêncio significa compactar com a perpetuação de um quadro de atroz indignidade. Siginifica, igualmente, vestir a carapuça de "carrascos voluntários" da guerra de extermínio que se move contra parcela mais desprotegida da sociedade. São mulheres, adolescentes, pobres sem eira nem beira, que se transformam em presa fácil nas mãos dos que patrocinam e se deleitam com o festim de carne humana oferecido diariamente nas masmorras do sistema prisional paraense
BLOG DA ARACELI

terça-feira, 27 de novembro de 2007

DIREITO À CIDADE

Movimentos sociais da Amazônia realizam Encontro pelo Direito à Cidade em Brasília.

Representantes de 07 Estados da Amazônia realizaram nos últimos dias 24 e 25 de novembro o Encontro das Cidades da Amazônia, promovido e organizado pelos Fóruns da Amazônia Oriental - FAOR e Fórum da Amazônia Ocidental -FAOC.

Foram dois dias de intensos debates para a consolidação da Plataforma Sócioambiental Urbana da Amazônia cujos resultados serão apresentados pelos/as delegados/as da região durante o trabalho de grupos e em plenária da 3a Conferência Nacional das Cidades que está sendo realizada de 26 a 29 de novembro.

A Professora Ana Cláudia Cardoso, integrante do Observatório Conhecimento e Movimento Social na Amazônia, fez um relato sobre a difícil realidade socioambiental das pequenas e médias cidades da região, destacando que em várias delas já se encontram problemas relacionadas a falta de acesso à água, embora na Amazônia esteja concentrado cerca de 80% da água doce do Brasil.

O Sr.Elcione, Diretor do Ministério das Cidades, durante a saudação de abertura, informou aos presentes que o governo federal tem disponível em caixa 40 bilhões de reais que podem ser acessados pelas Prefeituras, contudo, explicou Elcione, por vários motivos as prefeituras não estão acessando esses recursos, entre os quais a pouca capacidade organizativa e de gestão municipal.


Um dos pontos da Plataforma aprovado pelos movimentos sociais durante o Encontro foi a criação de um programa interministerial, coordenado pelo Ministério das Cidades, que garanta aos pequenos e médios municípios e com baixo IDH-M (Índice de Desenvolvimento Municipal) apoio sistemático para o desenvovimento organizacional e de gestão, incluindo a participação popular.

A expectativa dos/as organizadores/as do Encontro é que a Política Nacional de Desenvolvimento Urbano, a ser aprovada pela Conferência, inclua as diversidades e especificidades regionais e, concretamente apontem caminhos e iniciativas para a diminuação das desigualdades intra e inter-regionais.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

TRABALHO TEMPORÁRIO

BOICOTE AO TRABALHO TEMPORÁRIO SEM DIREITOS

“A exploração e a usurpação do trabalho humano constituem a base da luta de classes"

A Precariedade do Trabalho Humano

Desde tempos muito remotos, quando homens trabalhavam para outros homens, designados por patrão e empregado, buscou-se, da parte do primeiro o máximo de rendimento visando o lucro e, da parte do segundo, máximo esforço a fim de render um trabalho maior em qualidade e quantidade. Contudo, segundo a parábola do senhor e do escravo, é o segundo o qual progride e evolui porque dá ao mundo natural a sua feição enquanto o primeiro apenas recebe o produto do trabalho como algo já pronto e elaborado. Contudo, em todos os setores de trabalho, sempre se identifica um fator, maior, ou melhor, de exploração do trabalho. O contraponto entre produção e rendimento do trabalho é dialeticamente estabelecido. É temporalmente não sistemática a incidência desses níveis de precariedade do trabalho humano. Nas minas de carvão e minérios, trabalhadores inalam uma poeira letal que destrói seus pulmões. Nas obras de pavimentação, ao sol escaldante, operários ralam ao longo das avenidas, manipulando britadeiras sem protetor auditivo e, inclusive, em prédios trabalham sem capacetes. A exposição ao vapor da gasolina e do óleo diesel, a inalação de compostos químicos em armazéns de estoque. A falta de refeições adequadas e outras são todas estas formas de precariedade .

Outra forma de precarização é a que se refere às condições mais gerais do trabalho humano desde a sua aplicabilidade cotidiana até os aspectos lúdicos do lazer.
O trabalho humano é complexo por ser o indivíduo multideterminado. Ai é que se inserem as tumultuadas relações entre o capital e o trabalho desempenhando o Estado o papel de guarda-noturno do patrimônio da burguesia. Para que isso ocorra, gerações e gerações aniquilaram seu tempo e venderam sua força de trabalho por uma bagatela: sendo histórico o embate de classes.

"Através da Ação Direta Sindical", com este boicote, buscamos novas formas de enfrentamento da Precarização do Trabalho em um sentido amplo.

Estimulando boicotes, denuncias e o enfrentamento dos prejuízos decorrentes: da flexibilização do trabalho, da terceirização do trabalho, do desemprego, do trabalho temporário sem garantias empregatícias na forma da lei (bico), da falta de condições para o trabalho, das lesões físicas e psíquicas, o trabalho infantil, o trabalho escravo, a discriminação salarial, a jornada de trabalho opressora e indiscriminada, o tempo gasto e o número de conduções para ir e voltar do trabalho, a violência das chefias e dos patrões...

contraotrabalhosemdireito@grupos.com.br

sábado, 24 de novembro de 2007

GIRO

BRASILIA

Acontece a 3ª ConferÊncia das Cidades

GOIANIA

Encontro Nacional da Via Campesina deve reunir em torno de 500 participantes

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

ESTADO DE CARAJÁS (???)

A quem interessa a criação do Estado de Carajás??

O senador Leomar Quintanilha citou o seu Estado, o Tocantins, como um exemplo de desmembramento que promoveu desenvolvimento e resultados positivos para a população. “Esta é uma causa bonita, justa e que merece o apoio de todos nós aqui na Casa”, ESQUECEU DE DIZER QUE O ESTADO AINDA CONTINUA COM ALTO ÍNDICE DE POBREZA.

Na opinião de Giovanni Queiroz, o projeto é importante para consolidar o desenvolvimento da região. QUE DESENVOLVIMENTO? DA SOJA? DO EUCALIPTO? DO GUSA? OU DA TECA QUE ELE É PLANTADOR??

O deputado Zequinha Marinho disse que “a realização do plebiscito é de suma importância para garantir o processo democrático. Ninguém melhor do que a população desta região para dizer, através de plebiscito, se é necessário criar o Estado do Carajás. Esta região é formada por municípios que estão crescendo e têm um alto potencial de desenvolvimento. Não podemos fechar os olhos para isto E COMO VAMOS ABRIR OS OLHOS PARA VER A DEVASTAÇÃO DA REGIÃO FEITA A PARTIR DA FORTE MIGRAÇÃO DE FAZENDEIROS??

Os maiores interessados são os grandes grupos econômicos, politicos de carreira e meia duzia de oportunistas querendo se dar bem. Ora, quem são eles para falarem de "desenvolvimento", se ao longo dos anos tem seus mandatos a serviço do latifúndio e dos governos que abandonaram a região para favorecer a poderosa CVRD e outras empresas...

Vamos ao debate!!!

GIRO

REDENÇÃO

A valorização da cultura chega a Redenção com a inauguração da Casa da Cultura. Um espaço reservado para todos aqueles que desenvolvem as diversas modalidades artísticas e culturais, funcionará também como museu.

XINGUARA

Em recente reunião das associações comerciais da região da 279, os empresários levantaram uma problemática: as mineradoras do sul do Pará não tem contribuído adequadamente com as questões sociais.
Esta saber se essa realmente é a preocupação?


SAPUCAIA


Agora é vez de Sólom Lacerda!!


PA – 150

Os trabalhos estão intensos na rodovia PA 150 no trecho que liga Distrito Rio Vermelho a Sapucaia. São homens, mulheres, crianças, famílias inteiras com a mão no barro, fazendo uma verdadeira operação tapa-buraco, cobram algumas migalhas pelo serviço. As crateras estão aos poucos sendo tapadas e o governo tapado se omite da sua responsabilidade.

O Secretário Waldir “Silencioso” Ganzer já tem conhecimento, mas não têm tomado as devidas providências. São apenas 30 km que foram deixados pelo governo passado que não concluiu a obra.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

GOVERNO ANA JÚLIA/BARBALHO

Do movimento popular santareno, FRENTE EM DEFESA DA AMAZÔNIA - FDA

"Não há lei do céu ou da terra que o governo do Pará não esteja
disposto a desobedecer para facilitar ao madeireiro a derrubada da
floresta"

Às vésperas do "Fórum Internacional da Madeira Tropical", as pessoas
públicas de Santarém e do Pará coram de orgulho. A região Oeste do
Pará entrou na rota da visita de mega-empresários do agronegócio da
madeira.

Não é coincidência que o evento de edição bianual ocorra no Brasil e,
em especial, na Amazônia. Aqui estão os últimos remanescentes de
florestas tropicais do planeta. E, triste de ver: não só as gigantes
madeireiras estrangeiras, mas também as nossas autoridades políticas
nada mais vêem em nossa floresta além disso.

A espalhafatosa e grande comitiva, capaz de superlotar a não tão
grande rede hoteleira de Santarém, reedita outros episódios que cercam
a expropriação de nosso país: colonizadores atrás de novas terras,
mercadores atrás escravos na África, bandeirantes em busca de índios e
pedras preciosas, empresários trazidos pelos militares para "ocupar" a
Amazônia com sua visão "empreendedora".

Desta vez, o "moderno" tem nova máscara, é "sustentável". Na
programação, visitas a unidades de conservação, palestras e jantares
com empresários locais. O Governo Federal, por meio da ministra do
meio Ambiente, Marina Silva, esforçou-se nos últimos anos e pode dar
as boas vindas numa palestra onde certamente argumentará as vantagens
do instrumento que privatiza milhões de hectares, através da nova Lei
de Gestão de Florestas Públicas.

Não tão menos calorosa deverá ser a intervenção da governadora Ana
Júlia Carepa, que nos últimos meses mostra não haver lei do céu ou da
terra que ela não esteja disposta a contrariar para facilitar ao
madeireiro a derrubada da floresta.

Mas o interesse comercial latente com que os empresários locais e as
esferas de governo municipal, estadual e federal vêm demonstrando com
os visitantes, escamoteia a total indiferença com que as comunidades
locais são tratadas na definição do uso de seus territórios. Mais uma
vez nossa região é vista como "terra sem povo", encarada como um
espaço para apropriação.

E qual seria a palavra do Secretário Geral da Onu em meio a tais
companhias? Seria seu manifesto de solidariedade às tantas lideranças
sociais ameaçadas de morte na região. Ou viria verificar as condições
a que são submetidos os trabalhadores da indústria madeireira? Talvez
uma visita nas comunidades do rio Uruará, às Glebas Pacoval e Nova
Olinda ou à cidade de Novo Progresso, mostrasse uma outra face da
atividade madeireira: violência, ameaças, terror, expropriação e saque
das florestas tradicionalmente ocupadas. Certamente, um rosto que a
comitiva mantém bem maquiado seria visto realmente.

Infelizmente, não faz parte da programação do evento um olhar aos
danos social e ambiental que de perto seguem as ações das madeireiras.

Aliás, a conduta criminosa, ao contrário de desqualificar, parece ser
um critério de seleção: a madeireira "modelo" a ser visitada - Rancho
da Cabocla - é a primeira colocada no ranking de 2007 em autuações do
Ibama, com quase R$ 2.000.000,00 de multas recebidas em decorrência de
crimes ambientais. E isso sem contar a voraz ação do dono da
madeireira, Moacir Ciesca, na grilagem de terras públicas, que
inclusive o levou à cadeia em final de 2004.

Outro anfitrião, Aldir Smith, que oferecerá um suntuoso jantar aos
participantes do fórum, em março desse ano foi autuado por uma equipe
de ação contra o trabalho escravo. Foram encontrados (em sua
exploração de madeira clandestina) diversas pessoas em condições
degradantes de trabalhado.

Sem dúvida, os anfitriões são representativos de como funciona a
"indústria madeireira" no oeste do Pará: uma indústria do crime.

A voracidade da exploração de madeira chegou ao ponto de estender seus
tentáculos até o programa de reforma agrária. Por meio de um grande
esquema criminoso, amplamente divulgado na imprensa e comprovado pela
atuação do Ministério Público Federal, os madeireiros conseguiram
controlar o processo de criação de assentamentos de reforma agrária,
de modo que hoje, a terra que deveria ser distribuída aos
trabalhadores sem terra é controlada pelos madeireiros.

Os escândalos dos assentamentos fantasmas parecem que não foram
suficientes para reduzir a sanha predatória dos madeireiros, nem fez o
governo desistir de beneficiar a qualquer custo este setor. As
diferenças entre o escândalo e o evento, além de sutis, parecem ser
superadas por aquilo que os unifica: o total desprezo para com os
amazônidas e o saque da floresta, expropriando-a daqueles que a
habitam de modo sustentável.

Os direitos dos povos da floresta são sistematicamente violados e seu
modo de vida e seus saberes ridicularizados em confrontação com a
tecnocracia desenvolvimentista de um "ambientalismo" pró-mercado. O
apoio institucional de governo brasileiro à exploração madeireira,
mais do que desconsiderar a provada eficiência das populações
indígenas e extrativistas em deter a devastação, caminha no sentido de
expropriá-los.

A legislação brasileira recentemente criada para abastecer o
agronegócio internacional da madeira, nada mais é do que um aparato
político e jurídico para se ordenar o território de modo a viabilizar,
a grandes grupos econômicos, o acesso à terra e vias menos
truculentas, mais "técnicas", de se livrar o acesso aos recursos do
incômodo obstáculo de índios, caboclos, quilombolas e ribeirinhos e
demais "selvagens".

A Lei de Gestão de Florestas Públicas (11.284/2006) vem atender a essa
demanda ao instituir e regulamentar a concessão de florestas públicas
para a exploração privada dos recursos madeireiros e serviços
florestais. "É a economia da floresta que vai salvar a floresta",
alardeia o diretor do Serviço Florestal Brasileiro, Tasso Azevedo,
quando anuncia, em julho último, a concessão de 1 milhão de hectares
de florestas públicas para exploração madeireira. Aposta-se numa
estranha lógica: para se preservar há que se derrubar, ao mesmo tempo
em que, mais uma vez, se passará por cima do saber patrimonial das
populações extrativistas que habitam essas florestas há gerações e
gerações mantendo-as em pé.

Essa Lei vem no momento em que a devastação causada pelas madeireiras
tende a aumentar ainda mais o seu ritmo já ensandecido. Até os
últimos anos, o mercado mundial de madeiras foi abastecido pelas
poucas sobras das florestas tropicais asiáticas. A tomar pela intensa
migração de madeireiras asiáticas (principalmente chinesas) para a
Amazônia, essa será a "bola da vez" para saciar de matéria-prima o
mercado mundial madeireiro.

Segundo Elder de Paula, professor da Universidade Federal do Acre, o
abastecimento das grandes corporações que controlam o comércio
internacional de madeira foi a verdadeira motivação da Lei 11.286/06.
"Houve uma intensa pressão internacional através da elaboração de
parâmetros e de sua imposição aos países detentores de grandes
"estoques" de florestas tropicais. A intermediação da ONU legitimou a
construção pactuada dessa regulação. O agronegócio da madeireira
abocanhará algo em torno de 13 milhões de ha de florestas públicas na
Amazônia numa primeira tacada, podendo chegar, posteriormente, a 50
milhões, por meio de contratos de concessão com prazos de até 40
anos".

Durante os pouquíssimos debates sobre essa Lei que passaria a gerir
uma vastíssima porção da Amazônia, os argumentos dos arautos do
"desenvolvimento sustentável" pautaram-se na premissa de que a adoção
das técnicas do "manejo florestal" garantiriam o "uso sustentável" da
floresta. De Paula argumenta que "a proliferação de muitos resultados
de pesquisas, artigos e a elaboração de cartilhas e manuais de
'manejo', foram poderosos instrumentos para a formação de um consenso
em torno da exploração madeireira nas florestas públicas. Isso
reproduz o credo na infalibilidade da 'autoridade tecnocientífica' na
racionalização sobre a natureza na Amazônia". E a legitimação
científica é bastante seletiva, uma vez que o consenso sobre a
sustentabilidade da exploração comercial de madeiras e de seu controle
restringe-se a pesquisadores favoráveis ao projeto, passando ao largo
de outros reconhecidos nomes como Niro Higuchi, do Instituto Nacional
de Pesquisa da Amazônia-INPA, que alerta sobre a falta de garantias
dessa exploração sobre a saúde da floresta.

De dentro da mata, lideranças contemporâneas de Chico Mendes, como o
seringueiro Osmarino Amâncio, também reagem à entrega de suas
florestas sob o argumento da sustentabilidade: "Eles estão destruindo
árvores de 500, 600, 800 anos e tão dizendo que as outras vão se
recompor em 30 anos. Isso não é verdade, porque em nenhum lugar do
mundo foi feito o manejo que eles estão fazendo e deu certo". E, de
fato, os resultados da concessão de florestas em outros países ficou
longe de ser discutida no rápido processo de tramitação da Lei, como
explica de Paula: "Conseguiram a grande façanha de difundir a idéia de
que a melhor maneira de 'proteger' as florestas públicas seria
entregando-as à guarda dos madeireiros... e o que é pior, não ocorreu
a ninguém uma simples pergunta: o que aconteceu naqueles países onde
ocorreu a concessão florestal? Se a fizessem, teriam 'descoberto' que
as florestas foram praticamente dizimadas".

Os povos da floresta serão o grande obstáculo a essa concessão de
florestas públicas. No Oeste do Pará, em 2006, o governo estadual
concedeu autorizações de detenção de terras públicas para extração
madeireira em duas regiões, nas proximidades do rio Uruará e do rio
Arapiuns. Nos dois casos houveram conflitos violentos. No primeiro
caso, os ribeirinhos chegaram a atear fogo em balsa que transportava
madeira cortada de seus territórios; no segundo, recentemente uma
liderança indígena que organiza grande resistência foi espancado. No
Acre, de Paula explica que "As áreas que serão objeto de concessão
estão praticamente todas ocupadas por populações extrativistas; não
haverá lugar para elas quando as madeireiras assumirem o controle. Há
500 mil ha de florestas estaduais que serão licitadas para concessão
no eixo da BR-364 - trecho Tarauacá / Cruzeiro do Sul - centenas de
famílias estão sendo pressionadas pelo governo estadual a abandonar
suas áreas e deslocarem-se para pequenos lotes de terra nas margens
dessa rodovia." O discurso da geração de empregos também não procede,
pois devido ao elevado grau de mecanização de extração da madeira, a
absorção de força de trabalho local é irrisória.

A população indígena talvez seja atingida de forma ainda mais
violenta. Para o antropólogo e professor da Universidade Federal do
Acre, Jacó Piccoli, o Estado não tem a menor condição de controlar a
exploração de florestas próximas às Terras Indígenas e, "se hoje
existe retirada ilegal de madeira do interior de Terras Indígenas,
agenciadas por grandes madeireiras, mas executada por pequenas, de
modo sutil e com o aliciamento de lideranças indígenas, imaginemos
quando a exploração de madeira em grande escala for autorizada nas
proximidades das Terras Indígenas".

Outro ponto que preocupa Piccoli é a ameaça de que a concessão de
florestas para extração madeireira sobreponha-se a áreas de ocupação
indígena ainda sem seus territórios reconhecidos, "só no Acre, há pelo
menos 7 Terras Indígenas a serem definidas contando-se apenas os povos
já integrados". Além disso, há vastas áreas ocupadas por povos
indígenas isolados e não contactados. Segundo o antropólogo "só na
fronteira Brasil-Peru, sabe-se da existência de, no mínimo, 6 povos
nessa situação, também sem seus territórios reconhecidos". A
concessão de florestas públicas, nesse caso, representa uma grande
ameaça a essas populações, "haverá muita proximidade, quando não,
sobreposição, entre as terras ocupadas por índios isolados e as
atividades das madeireiras. Isso provocará contágio endêmico de
conseqüências imprevisíveis. Populações inteiras poderão, da noite
para o dia, ser completamente dizimadas. O que no fundo acabaria indo
ao encontro dos interesses empresariais: um território livre da
presença de seus ocupantes e aberto à exploração econômica
indiscriminada", explica Piccoli.

O reconhecimento do direito à terra dos povos da floresta já mostrou
muito claramente sua eficiência em deter o desmatamento e a degradação
ambiental. Ainda assim, processos de criação de Reservas
Extrativistas ou de homologação de Terras Indígenas são retidos na
Casa Civil, enquanto a concessão dos territórios dessa gente às
madeireiras corre livre.

Tanto socialmente, como ambientalmente, a formalização da situação da
terra em favor de seus legítimos ocupantes seria uma completa
obviedade. Porém, hoje como nos anos 70, como disse o presidente Lula
da Silva, esses são entraves ao desenvolvimento. E ele tem razão. A
ideologia do desenvolvimento pressupõe incorporar a floresta, como
matéria-prima, à economia de mercado. Se esses recursos já estão em
uso por pessoas que daí tiram sua sobrevivência e reproduzem seu modo
de vida com suficiente tecnologia para permitir que a floresta se
renove, isso impede a apropriação pelo mercado desses recursos e,
portanto, obstaculiza o desenvolvimento. Mas se o desenvolvimento
chega, expulsando os inconvenientes ou, como sugerem as novas
propostas do desenvolvimento sustentável, transformando-os e
reduzindo-os a pequenos madeireiros, criam-se novas formas de pobreza
social e degradação ambiental. Mas isso também é visto como
desenvolvimento.

Mais do que nunca, todo o mundo se volta ao maior desmatamento do
planeta e atenta à importância da Amazônia como um regulador climático
global. De maneira nova, se pensam em novas tecnologias que tornem a
vida nos centros urbanos menos impactante e que demandem uma menor
devastação da Amazônia. Porém, mantém-se, como sempre, a visão da
Amazônia como um banco de recursos a ser predatoriamente explorado e
uma veemente recusa em reconhecer a vital função dos povos que habitam
as matas da Amazônia em deter sua devastação.

A maior causa de desmatamento é o não reconhecimento do direito à
terra dos povos da floresta.

Assumem o documento produzido pela assessoria técnica da FDA:

Associação de mulheres domésticas de Santarém, Instituto Manancial,
União dos Estudantes Universitários de Santarém (UES), Conselho
Indigenista Tapajós/Arapiuns (CITA), Comissão Pastoral da Terra,
Pastoral Social da Diocese de Santarém, Rádio Rural de Santarém e
demais membros individuais da FDA.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

VIVA ZUMBI DOS PALMARES!!


No período de escravidão no Brasil (séculos XVII e XVIII), os negros que conseguiam fugir se refugiavam com outros em igual situação em locais bem escondidos e fortificados no meio das matas. Estes locais eram conhecidos como quilombos. Nestas comunidades, eles viviam de acordo com sua cultura africana, plantando e produzindo em comunidade. Na época colonial, o Brasil chegou a ter centenas destas comunidades espalhadas, principalmente, pelos atuais estados da Bahia, Pernambuco, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais e Alagoas.

Na ocasião em que Pernambuco foi invadida pelos holandeses (1630), muitos dos senhores de engenho acabaram por abandonar suas terras. Este fato beneficiou a fuga de um grande número de escravos. Estes, após fugirem, buscaram abrigo no Quilombo dos Palmares, localizado em Alagoas.

Esse fato propiciou o crescimento do Quilombo dos Palmares. No ano de 1670, este já abrigava em torno de 50 mil escravos. Estes, também conhecidos como quilombolas, costumavam pegar alimentos às escondidas das plantações e dos engenhos existentes em regiões próximas; situação que incomodava os habitantes.

Esta situação fez com que os quilombolas fossem combatidos tanto pelos holandeses (primeiros a combatê-los) quanto pelo governo de Pernambuco, sendo que este último contou com os ser­viços do bandeirante Domingos Jorge Velho.

A luta contra os negros de Palmares durou por volta de cinco anos; contudo, apesar de todo o empenho e determinação dos negros chefiados por Zumbi, eles, por fim, foram derrotados.

Os quilombos representaram uma das formas de resistência e combate à escravidão. Rejeitando a cruel forma de vida, os negros buscavam a liberdade e uma vida com dignidade, resgatando a cultura e a forma de viver que deixaram na África.

ZUMBI

Ele é o símbolo da luta dos negros contra a escravidão. Como uma espécie de rei do Quilombo de Palmares, incentivou a fuga dos escravos e enfrentou várias expedições de extermínio até retirar-se para a guerrilha. Foi capturado ainda menino, no ano de 1655, foi batizado e alfabetizado, mas nunca concordou em ser escravo. Aos 15 anos, fugiu e adotou o nome de Zumbi. Tornou-se Rei de Palmares em 1678, assumindo a liderança do Quilombo. E para defender seu povo, participou de várias lutas, como a de 1692, quando derrotou a expedição do bandeirante Domingos Jorge Velho. Mas nem tudo foi sucesso. Ele acabou sendo traído e foi morto numa emboscada, em 1695, aos 40 anos.

A VALE QUE INVADE

Por que será a imprensa não divulga os atos violentos que a CVRD comete?

A intervenção da CVRD nos territórios quilombolas é um verdadeiro crime contra a cultura local dos povos da resistência.

Pouca gente sabe mas a VALE contaminou a água, derrubou a mata e casas expropriando familias encurralando outras. Provocando conflitos social, cultural e ambiental no Território Quilombola do Jambuaçu no municipio de Moju - PA. O território é composto por 14 comunidades de remanescentes de quilombos, entre elas: São Bernardino, São Manoel, Santa Luzia, Jacundaí, Santo Cristo, Sâo Sebatião, Santana Baixo, Santa Maria. São mais de 685 familias que moram há vários anos.

Em 2004 a CVRD entrou no território a revelia de seus legitimos e legais prorietários, para implementação do Projeto Bauxita-Paragominas. Durante a realização do projeto, 58 famílias quilombolas foram diretamente atingidas: perderam a maior parte de suas terras aptas para a agricultura. Centenas de castanheiras foram abatidas; outras foram envenenadasou suas raízes ficaram definitivamente comprometidas pelas escavações oças eplantios foram destruídos. As águas da bacia do rio Jambuaçu ficaram turvas pelacolossal mexida na terra, provocando o sumiço de peixes e o assoreamento deseis igarapés. Desta forma todas as 674 famílias sentiram na pele os efeitosnefastos do tal de desenvolvimento. Em decorrência desta situação, osQuilombolas passaram a exigir que a CVRD reparasse os danos causados às famílias bem como ao meio ambiente.

No entanto, as obras de construção do mineroduto e do linhão do projeto Bauxita de Paragominas foram feitas dentro do território quilombola sem o reconhecimento a condição jurídica da área pela a poderosa VALE.

Depois de muita pressão foi feito acordo para possibilitar uma compensação pelos danos causados pela empresa.

MOTIVOS IDEOLóGICOS


O presidente da companhia em recente entrevista disse que a ocupação da ferrovia pelo MST tinha "motivações ideológicas". Ora, e a invasão as terras quilombolas que motivação tem?

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

SENADOR JOSÉ NERY (PSOL PA)

O Senador José Nery estará presente amanhã em Xinguara

Nery prestigiará o Concurso sobre "Trabalho Escravo Hoje no Brasil", envolvendo o trabalho de alunos de 15 escolas da rede pública. O evento acontecerá na Feira Coberta a partir das 19:00h.

Antes, ele aproveita sua ida a Xinguara para também se reunir com a militância do PSOL local.

AQUECIMENTO GLOBAL

A agricultura globalizada e a agricultura industrializada geram o aquecimento global pelos seguintes pontos:

1) Por transportar alimentos por todo o mundo

Transportam-se alimentos frescos e empacotados por todo o mundo e, atualmente, não é raro encontrar nos Estados Unidos ou na Europa, frutas, verduras, carne e vinho provenientes da África, América do Sul ou Oceania; também encontramos arroz asiático na América ou na África.Os combustíveis fósseis usados para o transporte de alimento estão liberando toneladas de CO2 para a atmosfera. A organização de camponeses suíços, a UNITERRE, calculou que um quilo de aspargos importados do México necessita 5 litros de petróleo para viajar por via aérea (11.800 quilômetros) até a Suíça. No entanto, um quilo de aspargo produzido em Genebra necessita somente 0,3 litros de petróleo para chegar até o consumidor.

2) Pela imposição de meios industriais de produção (mecanização, intensificação do uso de agro-químicos, monocultivo)

A chamada agricultura moderna, especialmente a monocultura industrial, está destruindo os processos naturais do solo (o que conduz a uma presença de CO2 na matéria) e substitui por processos químicos baseados em fertilizantes e pesticidas. Por conta, acima de tudo, do uso de fertilizantes químicos, da criação intensiva de gado e da monocultura, se produz um volume significativo de óxido nitroso (NO2), o terceiro gás de efeito invernadeiro com maior efeito sobre o aquecimento global. Na Europa, 40% da energia consumida nas explorações agrárias se deve à produção de fertilizantes nitrogenados. Por sua vez, a produção agrária industrial consome muito mais energia (e libera mais CO2) para mover seus tratores gigantescos para cultivar a terra e processar a comida.

3) Por destruir a biodiversidade (e sumideiros de carbono)

O ciclo do carbono tem sido parte da estabilidade do clima durante milhões de anos. As empresas do agronegócio destruíram este equilíbrio pela imposição generalizada da agricultura química (com uso massivo de pesticidas e fertilizantes procedentes do petróleo), com a queima de bosques para plantações de monocultivo e destruindo as terras pantanosas e a biodiversidade.

4) Conversão da terra e os bosques em áreas não agrícolas

Bosques, pastagens e terras cultiváveis estão sendo convertidos rapidamente em áreas de produção agrícola industrial, em centros comerciais, complexos industriais, grandes casas e em grandes projetos de infra-estrutura ou em complexos turísticos. Estas mudanças causam a liberação massiva de carbono e reduzem a capacidade do meio ambiente absorver o carbono liberado na atmosfera.

5) Transformação da agricultura de produtora em consumidora de energia

Em termos energéticos, o primeiro papel das plantas e da agricultura é transformar a energia solar na energia contida nos açucares e celuloses que podem ser diretamente absorvidas na comida ou transformadas em produtos de origem animal. Esse processo é natural e gera energia na cadeia alimentar. Não obstante, a industrialização do processo agrícola nos conduziu, nos últimos 200 anos, a uma agricultura que consome energia (usando tratores, agro-químicos derivados do petróleo, fertilizantes).

domingo, 18 de novembro de 2007

MOBILIZAÇÃO

Fim de semana de muita mobilização

No sábado reunião no Bacabalzinho e Bacabal Grande, no domingo na Vila Espirito Santo. Foi assim o fim de semana do Fórum que agrega várias entidades que farão a resitência à construção da AHE Marabá ( Hidrelétrica).

Em todas as atividades realizadas as pessoas foram unanimes em afirmar qeu são contra a construção da hidrelétrica. Foram feitas várias apresentações: video, exposição de depoimentos da experiência da UHE Tucuruí. Com isso o recado foi dado e a mobilização será contínua em toda área da possivel inundação.

Como encaminhamento os trabalhadores não deixarão nenhuma empresa entrar sem autorização para fazer pesquisas ou estudo de impacto.

sábado, 17 de novembro de 2007

DEPUTADOS

Deputados querem prolongar FÉRIAS



Proposta apresentada pelo deputado Novelino PMDB aumenta recesso parlamentar de 55 para 90 dias no ano

A Assembléia Legislativa demonstrou ontem que, quando a causa é própria, para alguns deputados, todo e qualquer empenho vale a pena. Pelo menos foi o que aconteceu com a tramitação do projeto do deputado Alessandro Novelino (PMDB), que aumenta de 55 para 90 dias o período do recesso parlamentar. O projeto passou facilmente pelas comissões e, pelo mecanismo de inversão de pauta, seria votado ainda ontem, mas os parlamentares estrategicamente abandonaram o plenário para que a votação fosse adiada para próxima semana.

A motivo da estratégia: para que a Constituição Estadual seja alterado são necessários pelo menos 25 votos favoráveis ao projeto. Como havia apenas 28 dos 41 deputados presentes à votação, e muitos ainda estavam didividos quanto à questão, projeto poderia não ser aprovado. Entre os que estavam em plenário, alguns preferem a emenda do deputado Gabriel Guerreiro, que fixa o recesso parlamentar em 70 dias, em vez de 55. A falta de consenso, provavelmente, iria fazer com que o projeto fosse derrubado pela falta de voto qualificado e, se isso ocorresse, a proposta só poderia retornar à pauta na próxima legislatura.

O presidente da Assembléia, Domingos Juvenil, alertou os deputados sobre o que poderia acontecer se a proposta fosse colocada em votação. Para evitar isso, um acordo informal costurado em plenário, permitiu que na hora da verificação de quórum para votação uma parte dos deputados se retirasse para a sala em anexo, deixando apenas dez parlamentares presentes. Ficaram em plenário os deputados Alexandre Von, André Dias, Cássio Andrade, Domingos Juvenil, Gabriel Guerreiro, Ítalo Mácola, Luís Cunha, José Megale, Joaquim Passarinho e Tetê Santos.

Mas este não foi o único 'jeitinho' adotado pelos deputados para garantir a aprovação da matéria. Usando como desculpa a necessidade de se efetivar logo a aprovação, em redação final, do projeto que legaliza os temporários, os parlamentares inverteram a pauta e deixaram o projeto para ser debatido em sessão específica, bem longe dos olhares atentos dos servidores que lotavam as galerias da Casa.

Desde o início da sessão, o assunto já vinha deixando em polvorosa os parlamentares. Conversas em grupos, questões de ordem, atropelos no Regimento Interno e até debates acalorados marcaram a discussão do projeto. Atualmente, o recesso parlamentar vai de 22 de dezembro a 14 de janeiro e, no meio do ano, de 1º a 31 de julho. Mas, se for aprovada em plenário a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) nº 13/2007, elaborada por Novelino, o recesso de fim de ano começará mais cedo, no dia 15 de dezembro, e os deputados voltarão mais tarde ao trabalho, no dia 15 de fevereiro. Ou seja, tudo voltaria a funcionar como antes, com 90 dias de recesso - 35 dias de folga a mais do que hoje. Já pela emenda de Gabriel Guerreiro, que acabou ganhando a adesão da maioria dos deputados, o ano legislativo terminaria no dia 20 de dezembro e recomeçaria no dia 2 de fevereiro. Ou seja, haveria 70 dias de recesso, se acrescidas as férias de julho.

O LIBERAL

Isso é uma brincanagem com o dinheiro público!!!

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

JORGE WASCHINGTON

Professor, poeta, artista, escritor, um grande amigo: Jorge Waschington está agora na blogosfera!

"você já leu um romance escrito sem nenhuma letra "a"?
Pois então Leia esta minha obra e verá que são 50 páginas de uma deliciosa história de amor e traição, narrada sem nenhuma letra a do começo ao fim: um desafio da língua portuguesa"

È o novo livro de Jorge Waschington.

www.jtwmarques.blogspot.com

ENERGIA

Energia para quem?

A construção de centenas de barragens no Brasil e entre elas a de Marabá, está relacionada com o interesse de grupos estrangeiros, que diante de uma enorme crise mundial de energia buscam dominar, a todo custo, todas as demais fontes de energia, dominar os rios e as águas, os minários e as terras.

A energia se transformou no principal problema do atual modelo de sociedade. A energia tem sido o ponto fraco dos países ricos e desenvolvidos e principalmente das grandes empresas multinacionais.

Não podemos permitir que um bando de entreguistas, vendedores de pátria, entreguem nossas riquezas ao controle das multinacionais. Com isso vale ressaltar a importancia do debate em torno da construção da Hidrelétrica de Marabá.

Organizar o povo e fazer a ser mais que um dever, mas uma obrigação de todos e todas que defendem em primeiro lugar a vida e o interesse do povo ribeirinho, trabalhadores da pesca e comunidades que sobrevivem do local qeu vai ser atingido pela inundação.

A Eletronorte que se prepare, mas Roquevans virão por aí!!!!

terça-feira, 13 de novembro de 2007

FEIRA DE CIÊNCIAS

Depois de ter sido realizada por longos anos pela própria prefeitura (Semed)a feira interescolar de ciêcias (FIC), retorna com uma novo nome. Agora como I FEICIMA.
O bom disso tudo é o resgate de um evento tão importante pela seu caráter científico. No entanto, a atual secretária de educação bem que poderia ter mantido a continuidade da FIC ( que ja estava quase na sua décima versão). Vale lembrar que a FIC teve início ainda no Governo do Prefeito Hamilton Bezerra, depois de ter passado pelas gestões de Nagib Mutran e Haroldo Bezerra, naufragou nos ano tristes do governo Veloso/Tião.

Feira do Livro???

Há dois anos atrás a Casa da Cultura fez uma tentativa de resgate de outro evento importante, mas terminou fracassando novamente.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

UNIVERSIDADE

O papel das universidades no desenvolvimento regional

O papel da universidade deve traduzir-se em seu efetivo compromisso com a solução dos problemas e desafios de seu contexto econômico-social

*Jorge Parente Frota Jr.

Em todos os países desenvolvidos do mundo, o ensino superior é um dos principais pilares de sustentação do desenvolvimento econômico, social e cultural. Ao longo dos séculos, o papel das universidades sempre esteve afeto à sua utilização pela sociedade como instrumento de desenvolvimento e progresso. Os países que souberam aproveitar as potencialidades dessas instituições cresceram e ficaram fortes.
Uma universidade é o locus privilegiado onde os participantes do processo educacional interagem, desenvolvendo e adquirindo conhecimentos e habilidades, com o objetivo de entender e agir sobre a realidade que os cerca. O papel da universidade, nesse contexto, deve traduzir-se em seu efetivo compromisso com a solução dos problemas e desafios de seu contexto econômico-social, implicando maior responsabilização quanto aos interesses e necessidades sociais.
Afigura-se, portanto, de valor fundamental o papel que as universidades devem desempenhar no desenvolvimento regional e na diminuição das disparidades econômicas e sociais existentes entre as cinco macrorregiões do país, interagindo, logicamente, com o poder público, o setor produtivo e a sociedade como um todo.
A universidade pública, principalmente, deve pautar sua atuação no tripé ensino-pesquisa-extensão, norteando-se por rigorosos critérios de qualidade, pelo espírito constante de auto-avaliação, pela atualização permanente, pela diversidade de opiniões, pela visão de prestação de serviços à comunidade onde atua, enfim, pela transformação e sistematização do saber em conhecimento que possa ser útil à sociedade.
As formas são muitas: aumento da oferta de vagas nos cursos de graduação e pós-graduação; formação de recursos humanos com maior foco nas especificidades empresariais e regionais; fortalecimento da cultura empreendedora; estímulo à interação universidade-empresa; intensificação de pesquisas em áreas estratégicas do desenvolvimento regional; ampliação de serviços de toda espécie, fornecidos como atividades de extensão. Cabe, aqui, fazer uma ressalva: a universidade deve, sim, vender serviços, dentro de uma visão que não se confunda com a mercantilização do saber.
No tocante ao desenvolvimento tecnológico, as universidades públicas, sobretudo as federais, são responsáveis por quase todas as pesquisas de ponta realizadas no Brasil. O modelo de industrialização do país gerou um sistema que concentra a capacidade de pesquisa nas universidades e institutos públicos, ao contrário dos países desenvolvidos, onde os sistemas de inovação articulam agentes públicos e privados para a viabilização da inovação dentro do setor produtivo. Somente por meio de um investimento maior e continuado em pesquisa, catalizando esforços tanto do setor produtivo quanto do meio acadêmico, poderemos transformar o país em gerador das tecnologias de que precisamos para competir e exportar os nossos produtos, com maior valor agregado, reduzindo a nossa vulnerabilidade externa.
Cada vez mais, portanto, as universidades públicas devem se abrir para a sociedade, que é, de fato, quem as financia. Essa abertura deve ser intensamente procurada e realizada, de modo cada vez mais estratégico, sob pena de a universidade deixar de cumprir o seu papel social e de catalisadora do desenvolvimento regional, que se confunde com a sua própria razão de ser.
Cabe à universidade, portanto, esse importante papel impulsionador do desenvolvimento, do qual nenhum país pode prescindir, que lega à sociedade, através do saber e da reflexão, o conhecimento para a busca da melhoria das condições econômicas e sociais.

Jorge Parente Frota Jr. é presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec) e membro do Conselho Nacional de C&T-CCT e do Conselho Superior da Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes)

sábado, 10 de novembro de 2007

2 MESES -




Saudades de quem partiu e deixou lembranças!!

"lembranças de quem se foi!
por aqui momentos de tristezas e desalentos...
lembranças que não se apagam..
momentos que se reconstituem a cada instante!
tristezas que se revelam.."

Saudades!!!!

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

MARAJÓ

Encontro recomenda criação de
Reserva da Biosfera do Marajó


Controlar o desmatamento e preservar a biodiversidade estão entre as finalidades das Reservas da Biosfera, porções de ecossistemas terrestres reconhecidas internacionalmente. O II Encontro Internacional das Reservas da Biosfera da Amazônia discutiu questões como a utilização sustentável de recursos hídricos e a solução de conflitos fundiários. Entre as sugestões, a criação da Reserva da Biosfera do Marajó, abarcando a Costa Amazônica.

SOJA TRANSGÊNICA

Produtores rurais ganham mais com soja não transgênica

Produtores rurais do Oeste Paranaense estão recebendo um acréscimo de R$
2,20 por saca de soja convencional, demonstrando o acerto da política do
Governador Roberto Requião em defesa da produção de grãos não
transgênicos", afirma o agrônomo Valdir Isidoro Silveira, presidente da
Claspar ? Empresa Paranaense de Classificação de Produtos. E destaca que
"é significativo o número de agricultores que está deixando o plantio de
soja transgênica por comprovar melhores resultados financeiros com a
produção convencional.

Para Isidoro Silveira, "a agricultura paranaense, que produz soja
convencional, tem a garantia de mercados para sua produção. E, o mais
importante, é que quem seguiu a aventura da transgenia está sofrendo
prejuízos, já que o Glifosato RR está se tornando resistente às ervas
daninhas, revelando-se um engodo para quem fez a escolha errada"

Ele ressalta que "os transgênicos são um bom negócio apenas para as
multinacionais de sementes. A sua defesa é feita por quem tem outros
interesses ou parcerias com as empresas sementeiras e vendedoras de
agrotóxicos".

O agrônomo Isidoro Silveira destaca também que "os produtores de milho não
transgênico estão recebendo US$ 70,00 por tonelada para embarques
destinados aos países europeus".

SYNGENTA ? O presidente da Claspar considera que a presença da
multinacional suíça Syngenta no Paraná, onde realiza experimentos com
transgênicos, é uma afronta a todos os brasileiros. A multinacional realiza
experiências de risco aqui, porque não pode fazer o mesmo em Basel, na
Suíça, onde é a sua sede. Lá, certamente, com este tipo de experiências
perigosas, os seus diretores seriam presos.

Empresas como a Syngenta, que agora tem as manchas de sangue em seu
currículo no Brasil, não podem mesmo serem bem-vindas ao Paraná. Este é um
tipo de empresa cuja presença não engrandece nenhum Estado. Elas estão
aqui porque não querem contaminar com a transgenia do veneno a
biodiversidade de seus países.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Nova Campanha do Ministério da Saúde




O que faz o Leite Longa Vida?

-Encurtar a vida!

EXÉRCITO CONTRA O CIDADÃO

Pela transposição, governo manda Exército invadir vila ribeirinha.

Nas proximidades da barragem de Itaparica, em Pernambuco, Exército transforma agrovila em área militar

Na entrada, duas placas anunciam: “Pare, Exército Brasileiro”. Ali, três soldados e dois sargentos fazem o controle da entrada e saída. Todos precisam se identificar. O Estado do Pernambuco, região do Semi-Árido, a 429 quilômetros da capital – Recife. O município de Petrolândia, área de reassentamento de famílias, mais especificamente a Agrovila VI, nas proximidades da Barragem de Itaparica.


A agrovila se transformou em um destacamento do Exercito que toca a obra de transposição do Rio São Francisco, mas a vida dos moradores mudou. O transito destes só pode acontece mediante a identificação e a explicação prévia.

Indignação

“Agora a gente não pode nem atender um telefone porque o soldado não sai do lado”, reclama uma moradora. Para assegurar a permanência no local, os batalhões presentes se valem da Lei n° 97 de 1999, complementar a de n° 69 de 1991, que determina o uso das forças armadas para o “desenvolvimento naciponal e defesa civil”. A legislação é uma versão d eoutras existentes desde o inicio do século 20.

Assistencialismo

A situação de dependência das comunidades, por meio de compensações, foi estimulada desde o inicio do projeto de construção da barragem de Itaparica, nos anos 1980. Agora o Exercito recolhe o lixo e cava poço artesiano par aa população.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Estratégia de acumulação a partir do lucro facil.





È assim que funciona o sistema capitalista!!

Então vamos sorrir antes de fazer uma profunda reflexão.

JÁ QUE OS JORNAIS NÃO PUBLICARAM, EU PÚBLICO!!!

PELA PERDA DA INOCÊNCIA




A cada vez que em Marabá ocorre um crime que chama atenção pela barbaridade e por ter acontecido de uma forma mais pública a cidade fica num estado de “deus nos acuda”, em vão. Mas porque em vão? Deverão me perguntar os “inocentes”. Porque os apelos não são capazes de chegarem a sensibilizar os deuses da desgraça.

Hoje, a guerra e as desgraças fazem parte da mais recente estratégia de acumulação capitalista. As armas e as bombas são mercadorias assim como o arroz e o feijão. Precisam ser consumidas e comercializadas para gerar riquezas para poucos, e para tanto precisam cada vez mais de um mercado garantido.

Como os Estados Unidos trata o planeta e especialmente o Brasil? Como seu grande espaço de manobra para garantia de sobrevivência de sua economia. Que todos países possam receber seus produtos e conceder-lhe o direito de apropriação dos recursos naturais (petróleo, carvão, minério...). Os EUA trata os governos dos demais países como capachos.

Os países se tornam cada vez mais vulneráveis, por negociarem suas soberanias. Mas não é só por isso que os países se tornam vulneráveis, mas também pelas suas políticas internas. O que faz o governo brasileiro para manter-se no cargo? Alianças. Com quem? Com a escória da política brasileira. Passando por calheiros, sarneys e barbalhos. O PT precisa cada vez mais de delúbios.

Os governos não estão preocupados com a organização da sociedade de modo a garantir harmonia e tranqüilidade para a população. A ordem do dia é desenvolver planos estratégicos que possibilitem suas permanências por um longo período na condição de governo. Tudo se torna fantasia e de caráter publicitário.

Mas tudo isso faz muito bem para uma pequena parcela da sociedade, que concentra a riqueza gerada pelos trabalhadores. Parcela esta que concentra poderes, define políticas e gerencia o Estado brasileiro, enquanto o governo ocupa seu tempo com o gerenciamento e manutenção de cargos.

É pura ignorância acreditar que a democracia burguesa seja capaz de atender os anseios da população pobre e desamparada. Esta população ainda tem que lutar muito pelas transformações necessárias para construção de uma outra realidade. Tem que deixar de acreditar nas ilusões espalhadas pelos politiqueiros.

Sem transformações radicais, os pobres e desamparados só tendem a aumentar. Nos últimos cem anos a população mundial passou de 1,6 para 6 bilhões de pessoas. Para ser mais claro: passou de UM bilhão e SEISSENTOS MILHÕES para SEIS BILHÕES de pessoas.

Deste universo da população, 850 milhões são ricos, 2,75 bilhões são de pobres e classe média, e 2,4 bilhões são de miseráveis, para os quais o mundo capitalista já tem como fora da humanidade, considerando que para estes só resta a morte.

Perdamos a inocência e vamos à luta.


Marabá, 29 de outubro de 2007.


Raimundo Gomes da Cruz Neto

rgc.neto@yahoo.com.br

E O "TREM" PAROU DE NOVO!!!

A força do povo organizado mostrando o que vem mais por ai!!

MST mostra sua força e ocupa novamente Estrada de Ferro de Carajás



Trabalhadores do MST (Movimento dos Sem-Terra), ocuparam a Estrada de Ferro de Carajás, em Parauapebas, no sudeste do Estado. O bloqueio começou no final da manhã desta quarta-feira (7),

De acordo com a coordenação estadual do movimento, cerca de seis mil pessoas dos 14 assentamentos e 9 acampamentos do Pará, estão no local. Ainda segundo a coordenação do MST, um trem está parado no local.

Agora só saíremos daqui quando o Governo Federal e o Governo Estadual atenderem as nossas reivindicações' avisa a coordenação do movimento. Na pauta de reivindicação o enfoque agora é a construção de dez escolas e unidades infantis, a instalação de postos de saúde equipados, crédito estadual para fomentar a produção e a 200 quilômetros de asfalto em estradas que dão acesso aos assentamentos.


A "PODEROSA" VALE CONTESTA

Em nota enviada publicada em seu sitio, a Companhia Vale do Rio Doce - informou que a invasão aconteceu no momento em que duas locomotivas manobravam 126 vagões vazios num pátio ferroviário próximo a Parauapebas.

De acordo com a nota, os trabalhadores usaram de violência contra o maquinista e quatro funcionários da Vale, que em seguida foram feitos reféns por cerca de 30 minutos.





CVRD faz terrorismo com as informações

Na nota a empresa ressalta ainda que está em vigor a liminar concedida pelo juiz federal Francisco de Assis Garcês Castro Júnior no dia 17 de outubro. A liminar garante a reintegração de posse da ferrovia à empresa.

Segundo relato dos funcionários feitos reféns, cerca de 300 invasores do MST cercaram a locomotiva. Eles estavam vestidos de preto, encapuzados e portavam foices, picaretas, pedaços de pau e facões.. Os invasores ordenaram que a porta da locomotiva fosse aberta. Ainda de acordo com o relato dos nossos funcionários, os mangotes (sistema de frenagem) das locomotivas foram cortados e as composições foram apedrejadas e golpeadas com as picaretas', consta na nota.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

VIVA MARIGHELLA!!

A tocaia estava armada e um homem seria executado sem piedade. Sem nome: Carlos Marighella, mais que um revolucionário, uma legenda da luta contra todas as ditaduras que ao longo do rápido século XX garrotearam a nação brasileira.

Há quase quatro décadas impõem-se um verdadeiro manto de silêncio, tentando eternizar o desaparecimento desse brasileiro de pai italiano e mãe negra, baiano, intelectual, lutador incansável e comunista que soube levar às últimas conseqüências sua inquebrantável fidelidade ao povo.

DEU NA FOLHA

O rolo do Rolex
ZECA BALEIRO

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Por que um cidadão vem a público mostrar sua revolta com a situação do país, alardeando senso de justiça social, só quando é roubado? --------------------------------------------------------------------------------



NO INÍCIO do mês, o apresentador Luciano Huck escreveu um texto sobre o roubo de seu Rolex. O artigo gerou uma avalanche de cartas ao jornal, entre as quais uma escrita por mim. Não me considero um polemista, pelo menos não no sentido espetaculoso da palavra. Temo, por ser público, parecer alguém em busca de autopromoção, algo que abomino. Por outro lado, não arredo pé de uma boa discussão, o que sempre me parece salutar. Por isso resolvi aceitar o convite a expor minha opinião, já distorcida desde então.
Reconheço que minha carta, curta, grossa e escrita num instante emocionado, num impulso, não é um primor de clareza e sabia que corria o risco de interpretações toscas. Mas há momentos em que me parece necessário botar a boca no trombone, nem que seja para não poluir o fígado com rancores inúteis. Como uma provocação.
Foi o que fiz. Foi o que fez Huck, revoltado ao ver lesado seu patrimônio, sentimento, aliás, legítimo. Eu também reclamaria caso roubassem algo comprado com o suor do rosto. Reclamaria na mesa de bar, em família, na roda de amigos. Nunca num jornal.
Esse argumento, apesar de prosaico, é pra mim o xis da questão. Por que um cidadão vem a público mostrar sua revolta com a situação do país, alardeando senso de justiça social, só quando é roubado? Lançando mão de privilégio dado a personalidades, utiliza um espaço de debates políticos e adultos para reclamações pessoais (sim, não fez mais que isso), escorado em argumentos quase infantis, como "sou cidadão, pago meus impostos". Dias depois, Ferréz, um porta-voz da periferia, escreveu texto no mesmo espaço, "romanceando" o ocorrido. Foi acusado de glamourizar o roubo e de fazer apologia do crime.
Antes que me acusem de ressentido ou revanchista, friso que lamento a violência sofrida por Huck. Não tenho nada pessoalmente contra ele, de quem não sei muito. Considero-o um bom profissional, alguém dotado de certa sensibilidade para lidar com o grande público, o que por si só me parece admirável. À distância, sei de sua rápida ascensão na TV. É, portanto, o que os mitificadores gostam de chamar de "vencedor". Alguém que conquista seu espaço à custa de trabalho me parece digno de admiração.
E-mails de leitores que chegaram até mim (os mais brandos me chamavam de "marxista babaca" e "comunista de museu") revelam uma confusão terrível de conceitos (e preconceitos) e idéias mal formuladas (há raras exceções) e me fizeram reafirmar minha triste tese de botequim de que o pensamento do nosso tempo está embotado, e as pessoas, desarticuladas.
Vi dois pobres estereótipos serem fortemente reiterados. Os que espinafraram Huck eram "comunistas", "petistas", "fascistas". Os que o apoiavam eram "burgueses", "elite", palavra que desafortunadamente usei em minha carta. Elite é palavra perigosa e, de tão levianamente usada, esquecemos seu real sentido. Recorro ao "Houaiss": "Elite - 1. o que há de mais valorizado e de melhor qualidade, especialmente em um grupo social [este sentido não se aplica à grande maioria dos ricos brasileiros]; 2. minoria que detém o prestígio e o domínio sobre o grupo social [este, sim]".
A surpreendente repercussão do fato revela que a disparidade social é um calo no pé de nossa sociedade, para o qual não parece haver remédio -desfilaram intolerância e ódio à flor da pele, a destacar o espantoso texto de Reinaldo Azevedo, colunista da revista "Veja", notório reduto da ultradireita caricata, mas nem por isso menos perigosa. Amparado em uma hipócrita "consciência democrática", propõe vetar o direito à expressão (represália a Ferréz), uma das maiores conquistas do nosso ralo processo democrático. Não cabendo em si, dispara esta pérola: "Sem ela [a propriedade privada], estaríamos de tacape na mão, puxando as moças pelos cabelos". Confesso que me peguei a imaginar esse sr. de tacape em mãos, lutando por seu lugar à sombra sem o escudo de uma revista fascistóide. Os idiotas devem ter direito à expressão, sim, sr. Reinaldo. Seu texto é prova disso.
Igual direito de expressão foi dado a Huck e Ferréz. Do imbróglio, sobram-me duas parcas conclusões. A exclusão social não justifica a delinqüência ou o pendor ao crime, mas ninguém poderá negar que alguém sem direito à escola, que cresce num cenário de miséria e abandono, está mais vulnerável aos apelos da vida bandida. Por seu turno, pessoas públicas não são blindadas (seus carros podem ser) e estão sujeitas a roubos, violências ou à desaprovação de leitores, especialmente se cometem textos fúteis sobre questões tão críticas como essa ora em debate.
Por fim, devo dizer que sempre pensei a existência como algo muito mais complexo do que um mero embate entre ricos e pobres, esquerda e direita, conservadores e progressistas, excluídos e privilegiados. O tosco debate em torno do desabafo nervoso de Huck pôs novas pulgas na minha orelha. Ao que parece, desde as priscas eras, o problema do mundo é mesmo um só -uma luta de classes cruel e sem fim.


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JOSÉ DE RIBAMAR COELHO SANTOS, 41, o Zeca Baleiro, é cantor e compositor maranhense. Tem sete discos lançados, entre eles, "Pet Shop Mundo Cão".

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

RECEBI TÁ PUBLICADO!!

MANIFESTO DAS FAMÍLIAS SEM TERRA

ACAMPADAS ÀS MARGENS DA ESTRADA DE FERRO CARAJÁS.



Escrevemos a vocês do acampamento as margens da Estrada de Ferro Carajás-Ponta da Madeira, no Assentamento Palmares II no município de Parauapebas no sudeste do Pará.

Estamos em milhares, vindos de outros acampamentos, do garimpo, de lugarejos distantes, dos assentamentos, das cidades, das periferias, enfrentamos as terríveis contradições do modelo imperante da fronteira.

Não somos estrangeiros e nem famintos ainda que a miséria seja algo sempre insuportável, estigma que os dominantes utilizam sempre para nos deslegitimar, dispensamos tratamento desse nível, tacanho preconceito e vil obscurantismo cultural.

O que queremos? Numa única palavra, exercer soberania sobre nossas riquezas. Decidimos ser gente, cidadãos nessa região onde o capital quer que seja apenas sua fronteira em expansão!

Por isso, enfrentamos os impasses da terra, da floresta e das águas. As negações de direitos. Os agiotas. O Estado. Os governos. Os Tecnocratas, que seqüestram pela força e violência a nossa soberania e vendem para o capital internacional nossa região.

Vivemos a mercê das circunstancias no segundo maior Estado da federação, região norte do país. Para o mundo, a Amazônia maior área de floresta nativa do planeta hoje impactada por projetos econômicos altamente erosivos à sua biodiversidade. Aqui estamos mobilizados a mais de 20 dias na –Jornada de luta pela Reforma Agrária e em Defesa dos Recursos Naturais do Povo Brasileiro.

Escrevemos para que nos ouçam e recoloquem a verdade onde ela foi deturpada, desmoralizada. Saibam, o que chega sutil dos centros de poder é o que esmaga silenciosamente. É o que nos faz ignorar, comungar pela coletividade o que é justo e verdadeiro. Os meios de comunicação social e a direita ideológica desse país satanizam a pauta política dos trabalhadores, suas formas de luta e resistência..

Ensinam à sociedade que não é assunto de Sem Terra, de Garimpeiros, estudantes, pequenos produtores e aos pobres: o funcionamento da economia, a instabilidade política, a lei de patentes, as sementes geneticamente modificadas, as altas taxas de juros, o neoliberalismo.

Ensinam à sociedade que não é assunto de Sem Terra, de Garimpeiros, de estudantes, dos pobres: à extrema desigualdade social do povo, a soberania nacional, a bolsa de valores, os destinos da nação, o desenvolvimento da ciência e da tecnologia, o aquecimento global, a agricultura e a defesa da Amazônia.


Estamos fartos das mentiras e anunciamos:


A nossa pobreza é um problema do Estado brasileiro e de quem governa suas instituições. Queremos que seja resolvida e não aceitamos mais saídas individuais.
A nossa fome é problema do Estado brasileiro e de quem manipula em favor de uma classe social - a burguesia -, toda a riqueza. Queremos resolvido o desemprego e não aceitaremos mais o nervosismo do mercado e do capital internacional determinando sobre o destino do povo.
A nossa ignorância é problema do Estado brasileiro, da elite medíocre e subserviente. Não aceitaremos mais as altas taxas de juros, a ditadura do modo de vida capitalista, o pensamento único e imperialista. Queremos resolvido o analfabetismo.
A reforma Agrária é problema do Estado brasileiro e de quem impõem o agronegócio. Não aceitaremos mais esse modelo de exportação e de acumulação de riqueza baseado na morte da nossa biodiversidade. Queremos resolvida a desapropriação dos latifúndios que praticam violência,trabalho escravo e crime ambiental. Não aceitamos mais a representação política do congresso nacional.
A nossa favela – pré-cidades - é um problema do Estado brasileiro, da elite “donatária” e especulativa que hoje através dos serviços públicos se apropriam da mais-valia social. Queremos resolvida pela vontade popular a reestatização da CVRD e que se estabeleça o seu controle social. Não aceitamos mais o superávit primário como fórmula perfeita de governabilidade.
A nossa doença é um problema do Estado brasileiro e de quem mantém subjugado pela indiferença e pela força a vontade do povo. Queremos resolvida a falta de soberania nacional e não aceitamos o poder judiciário contrariando os interresses da sociedade.
A nossa dor é problema do Estado brasileiro, de uma elite que joga a sociedade numa crise sem precedentes na história e na barbárie social. Queremos resolvida em forma de expulsão todas as empresas multinacionais que atuam no Brasil e, não aceitamos as falácias palacianas, queremos direitos.




Contra o Imperialismo; Soberania Popular na Amazônia!

Reforma Agrária: Por Justiça Social e Soberania Popular!


Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra MST-PA




Acampamento permanente

Ás Margens da Estrada de Ferro Carajás.

Assentamento Palmares

Parauapebas, sudeste do Pará.

31 de outubro de 2007