sexta-feira, 20 de abril de 2007

Siderúrgicas assinam carta-compromisso

VEM AI: Seminário de Desenvolvimento Sustentavel do Polo Carajás - aqui nossa contribuição para o debate
Na sexta-feira, 13 de agosto de 2004, as principais siderúrgicas que atuam no norte do país assinaram uma carta-compromisso pelo fim do trabalho escravo na produção de carvão vegetal e pela dignificação, formalização e modernização do trabalho na cadeia produtiva do setor siderúrgico. O evento integrou o calendário da Semana Nacional pela Cidadania e Solidariedade e foi um marco histórico. Colocado em prática, promete mudar para melhor os rumos do emprego nos elos mais fracos da cadeia produtiva siderúrgica, com forte impacto ambiental também, já que o carvão vegetal é um dos subprodutos do desmatamento.

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O documento assinala, entre outros fatos, que ainda existem ambientes degradantes na base da cadeia produtiva do setor siderúrgico, deixando sem amparo um grande número de trabalhadores. E, embora as empresas siderúrgicas e órgãos governamentais venham se esforçando, permanecem ainda focos de condições de trabalho escravo. A erradicação imediata deve ser prioridade dos governos e da sociedade. As companhias, no documento, também se comprometem, entre outras medidas, a definir restrições comerciais àquelas empresas que se utilizem de mão de obra escrava; e a desenvolver campanhas contra a escravidão, evitando o aliciamento de trabalhadores mais vulneráveis.
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A gênese da produção regional do ferro-gusa

O impulso inicial para a instalação regional destas indústrias siderúrgicas está
intimamente atrelado a tentativas estratégicas de modernização da Amazônia, concebidas e
implementadas pelo Estado nacional na década de 1980. Foram ações cujos supostos
teóricos, práticas e instrumentos de intervenção eram vinculados à chamada “economia do
desenvolvimento”. A perspectiva de intervenção estatal no início daquela década se
baseava em tais supostos e práticas, apesar de, naquela década, em termos mundiais
sofrerem restrições crescentes, neles, apoiando-se noções como as de “crescimento
desequilibrado”, “efeitos de encadeamento”, “complexos motrizes” etc.
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Naquele contexto, o discurso oficial anunciava o PGC como um programa integrado
de desenvolvimento regional capaz de industrializar e modernizar a fração Oriental da
Amazônia brasileira. (Brasil, 1981). Uma transformação social que seria estabelecida a
partir de “efeitos dinamizadores em cadeia” e da “internalização das rendas” decorrentes
da “base de exportação” de produtos minerais. Propugnavam os planejadores oficiais, que
de tais dinâmicas decorreria a edificação de “um complexo industrial metal-mecânico”
tendo como primeiro estágio as indústrias sídero-metalúrgicas. Foi previsto que “os
encadeamentos para frente das atividades siderúrgicas engendrariam a criação de um
parque metal-mecânico, cujo porte ensejaria a criação de pelo menos 44 mil empregos
diretos no ano de 2010” (Brasil, 1989: 19). A base deste complexo industrial seria as
atividades siderúrgicas.
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Os planos governamentais admitiam que a implantação de um parque siderúrgico
acarretaria um consumo significativo de carvão vegetal, prevendo que, no ano 2000, seria
consumido 1,4 milhão de toneladas só para a produção do ferro-gusa (Brasil, 1989: 242).
Reconhecia-se ainda que tal demanda significaria mais um elemento de pressão sobre a
floresta. Indicava-se como alternativa a utilização do coco-de-babaçu, o manejo florestal e
a silvicultura como fontes de biomassa, além da utilização de métodos de carbonização que
adotassem tecnologias avançadas em vez dos rústicos fornos comumente chamados de
"rabo-quente".
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RECURSOS PÚBLICOS

Estas guseiras receberam colaboração financeira através de recursos públicos oriundos do Fundo de Investimentos do Nordeste – FINOR – e do Fundo de Investimentos da Amazônia – FINAM. Uma vez aprovados os projetos, seus signatários recebiam até 75% do valor total indicado como necessário à implantação do parque industrial e à aquisição deáreas destinadas ao desenvolvimento de supostos projetos de "manejo florestal" ou de reflorestamento.

Siderurgia na Amazônia oriental brasileira e a pressão sobre
a floresta primária
Maurílio de Abreu Monteiro*
* Pesquisador do NAEA - Secretário de Estado de Desenvolvimento, Ciencia e tecnologia
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quarta-feira, 18 de abril de 2007

19 de abril: DIA DO ÍNDIO - a resistencia indígena e popular prossegue!!

Abril Indígena: Quando a indignação e os sonhos acampam

A política indigenista do Governo brasileiro nos últimos anos continuou surpreendendo negativamente. O Governo mostrou-se incapaz de lidar com a pluralidade étnica do Brasil, de estabelecer políticas públicas diferenciadas para os povos indígenas. A situação de desrespeito aos direitos indígenas tem se agravado.
O primeiro mandato do Presidente Lula foi caracterizado pelo aumento da violência contra os povos indígenas, a criminalização e assassinato de lideranças, a paralisia na regularização das Terras Indígenas, a situação de caos no atendimento à saúde indígena, a falta de implementação da educação escolar indígena diferenciada, a não consolidação de Programas de proteção, gestão e sustentabilidade dos Territórios Indígenas e a falta de coordenação nas ações e políticas de Governo, que ainda são formuladas e implementadas sem a ampla participação dos povos e organizações indígenas, no contexto de uma política indigenista tutelista, autoritária e antidemocrática.
À reivindicação da criação de um Conselho Nacional de Política Indigenísta, vinculado a Presidência da República, com competência deliberativa e criado por Lei, o Governo Federal respondeu com a criação, através de decreto presidencial, em 23 de março de 2006, de uma Comissão Nacional de Política Indigenísta, que até hoje não foi instalada


“Assassinaram Galdino, mas não calaram a voz do movimento indígena”.

“Convém sempre reafirmar que Terra Indígena não é fazenda; não é agro-negócio; não é campo de prospecção e exploração petrolífera; não é unidade de conservação, não é Parque Nacional, não é ou área protegida; não é paraíso turístico... Terra Indígena é Vida. Integrados, colonizados, isolados, marginalizados e urbanizados somos parte unidos em defesa dos nossos direitos”.(Documento dos Povos e Organizações Indígenas do Acre, sul do Amazonas e Noroeste de Rondônia- 14/04/07

O Avanço da pós-colonização sulista

O avanço da fronteira agrícola no norte do Mato Grosso e em Rondônia, além da atuação ilegal de madeireiras, já atinge o sul do Amazonas e vem assustando as comunidades indígenas da região. A denúncia é feita pelo líder indígena Walmir Parintintin, cujo povo vive nas proximidades das Brs 230 e 319 da Transamazônica. Segundo ele, forasteiros tomam conta da região, levando o desmatamento e ao surgimento de pastagens, ao mesmo tempo que trazem doenças com a contaminação das águas dos rios com agrotóxicos."

segunda-feira, 16 de abril de 2007

17 de abril: Dia Nacional de Luta pela Reforma Agraria

Impunidade: comandantes do Massacre de Carajás estão soltos e processo parado

Depois de 11 anos do Massacre de Eldorado de Carajás, que ganhou repercussão internacional e marcou a história do país, o processo dos dois comandantes da operação policial está parado nos tribunais superiores e ambos continuam em liberdade. A chacina deixou 19 trabalhadores rurais mortos, centenas de feridos e 69 mutilados em 17 de Abril de 1996, que se tornou o Dia Nacional de Luta pela Reforma Agrária, em decreto sancionado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso (LEI 10.469/2002).
Entre os 144 incriminados, foram condenados depois de três conturbados julgamentos o coronel Mário Collares Pantoja e o major José Maria Pereira de Oliveira, que aguardam a análise de recurso da sentença.
O julgamento do recurso especial apresentado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) está sob a responsabilidade da ministra-relatora Laurita Hilário Vaz, e o recurso extraordinário ao Supremo Tribunal Federal (STF) está nas mãos do ministro-relator Cézar Peluso.Ao lado do Massacre do Carandiru (1992) e da Chacina da Candelária (1993), o Massacre de Carajás, no Pará é considerado como uma das ações policiais mais brutais da história recente do Brasil. Sob ordem do governador Almir Gabriel (PSDB), participaram da operação 155 oficiais, divididos em duas tropas de militares, que abriram fogo contra famílias Sem Terra que protestavam na rodovia PA-150 para exigir a desapropriação de um latifúndio improdutivo.“A gente lamenta a mentalidade de grande parte dos juristas, que acha que a pessoa deve recorrer eternamente pela chamada presunção de inocência.
O processo acaba gerando impunidade total e absoluta” afirma o promotor de Justiça do caso, Marco Aurélio Nascimento.O advogado do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Carlos Guedes, que acompanhou o caso de abril de 1996 até o último julgamento, em maio de 2002, acredita que existem três tipos de responsabilidades em relação ao massacre: as responsabilidades criminal, cível e política.
Para ele, a condenação dos chefes do batalhão e dos soldados da polícia não contemplaria todas as responsabilidades. “Outras pessoas tiveram participação decisiva no massacre, como o governador, o comandante geral da Polícia Militar e o secretário de Segurança Pública, Paulo Sette Câmara. Estes sequer foram envolvidos no caso”, contesta o advogado.Além da impunidade, as pessoas mutiladas ainda não receberam as indenizações, inclusive as 13 viúvas que tiveram seus maridos executados naquele dia.
Charles Trocate, da direção nacional do MST no Pará, considera o Estado brasileiro culpado pelo incidente. “A cultura da violência gera a cultura da impunidade. Carajás evidenciou um problema em proporções maiores, mas o Estado não foi capaz de criar instrumentos que corrigissem isso”. Para ele, o governador, o secretário de Justiça e o comandante geral da PM não foram condenados ficaria patente a responsabilidade do Estado no massacre. (www.mst.org.br)

segunda-feira, 9 de abril de 2007

35 DA GUERRILHA DO ARAGUAIA - 12 DE ABRIL

Há exatos 35 anos, no dia 12 de abril de 1972, na fase mais dura da ditadura militar brasileira, cerca de 2 mil homens do exército, especialmente das Brigadas de Infantaria da Selva (BIS) e outras unidades da área, tomam de assalto a região do baixo Araguaia, fazendo de Marabá e Xambioá suas cidades-quartéis. A "ocupação" da área tinha um único objetivo: aniquilar o incipiente movimento de resistência que vinha sendo construído na região por militantes do Partido Comunista do Brasil. Esta agressão militar, que atingiu não só os militantes comunistas mas também a população local, deu início ao episódio que ficou conhecido como a Guerrilha do Araguaia.
Para lembrar o 35º aniversário desse episódio tão marcante da história do Brasil, o Blogg SEMPRE PRESENTE reproduz aqui uma SÉRIE DE TEXTOS que mostra o significado histórico da Guerrilha e afirma: "Embora derrotada militarmente, a Guerrilha do Araguaia foi vitoriosa politicamente!". é um episódio que hoje pertence ao povo brasileiro"


Mas falta o GOVERNO LULA criar coragem e abrir os arquivos da guerrilha...

Araguaia: a guerrilha redescoberta

Textos de Paulo Fonteles publicados no jornal A Tribuna Operária
A PRIMEIRA DESCOBERTA

Fui dos primeiros a tomar conhecimento dela, ainda em maio/junho de 1972. Eu, naquele tempo, estava preso no PIC (Pelotão de Investigações Criminais) da Polícia do Exército, em Brasília Numa tarde, percebi a presença de um novo preso, na cela vizinha. Com voz sussurrada, perguntei lhe o nome, motivo da prisão, estado de saúde. Era E, Eduardo fora preso por ligação a um movimento guerrilheiro no Pará, na Transamazônica, e estava sendo muito torturado.
Naqueles tempos terríveis de destruição sistemática de toda resistência ao fascismo de Garrastazu, a polícia de um movimento guerrilheiro forte, logo no meu Pará causou me uma emoção extraordinária. De noite, comecei a "irradiar" a notícia para o resto do presídio, utilizando os métodos que só os presos conhecem. Nos dias seguintes, o PIC se encheu de gente do Araguaia: Luiza, Yoko, uma dezena de camponeses, e finalmente Genoino Neto, que eu já conhecia de uma reunião da UNE em 1969.
Em junho do ano passado, na Bahia, reencontrei Genoino. Reencontro emocionante, de antigos companheiros de luta estudantil e de cadeia. Abraçamo nos e tiramos a tarde para conversar.
Lembro me perfeitamente: estávamos próximos do elevador Lacerda, debaixo de uma marquise. Chovia a cântaros. Cuidadosamente, como pisa em terreno minado, disse lhe conclusivo: pisa com todo o respeito que merecem os camaradas que tombaram no Araguaia, aquilo foi um foco. Muito bem montado, refinado, mas um verdadeiro foco, sem tirar nem por!"
E passei lhe meus dados: "Genoino, eu estou há, mais de ano no Araguaia, pesquisando a Guerrilha, mas quase nada se sabe a respeito. Pelo que consegui levantar, a massa não teve nenhuma participação, nem sabe das motivações da luta. E pior, foram os próprios camponeses que entregaram a maioria dos guerrilheiros, como na Bolívia, com Guevara. O Povo foi um mero espectador da luta entre as Forças Armadas e os militantes do Partido Comunista do Brasil!"
APOIO E PARTICIPAÇÃO

Hoje, um ano e meio depois, minha compreensão inverteu se completamente. Tenho absoluta certeza de que a Guerrilha do Araguaia teve apoio da massa camponesa da região. E mais: há indicadores seríssimos de que a Guerrilha teve apoio e participação das amplas massas.Essa descoberta iniciou se na medida em que ia aprofundando meus contatos com a luta dos posseiros, ia conseguindo lhes a confiança, ia penetrando no mundo secreto e perigoso da guerrilha. E tornou se mais densa com a recente "caravana" dos familiares dos mortos e desaparecidos do Araguaia, que percorreu a região
O EXÉRCITO CHEGOU ATÉ A CORTAR CABEÇAS

A ação das Forças Armadas no Sul do Pará se orientou por toda a experiência internacional do imperialismo contra os povos, contando com especialistas militares norte americanos e portugueses, treinados nas guerras do Vietnã e da Africa: Sua tática se desdobrou nos campos político e militar e também evoluiu de acordo com a luta.

VIOLÊNCIA PARA ISOLAR

Politicamente, o principal esforço da repressão foi isolar a Guerrilha, no plano local e nacional. 0 expediente mais importante foi uma violência talvez sem paralelo na história do Brasil. Eu, que conheci a tortura de perto; não comparo nada do que vi às violências que as Forças Armadas cometeram no Araguaia. Camponeses, às vezes 60 ou 70, colocados em buracos, nus, durante dias sem comer nem beber. Padres, freiras, pequenos comerciantes, donas de casa e até grandes fazendeiros presos e torturados.
E ainda mais, o corte de mãos e cabeças, o desfile de cadáveres mutilados pelas ruas e estradas pra intimidar a população.
Para isolar a Guerrilha nacionalmente, a repressão tentou destruir o PC do Brasil. Não o conseguiu, mas chegou a desarticular alguns centros importantes de apoio à luta no Araguaia. E impôs uma censura férrea também para evitar os "efeitos multiplicadores" da Guerrilha, segundo o coronel Jarbas Passarinho.
O Exército também usou duas táticas tentando ganhar as massas locais. Uma foi fazer concessões demagógicas ao nível das lutas econômicas do povo. Na região "dos Cabral" por exemplo, em plena guerra, dezenas de soldados prenderam um grileiro enquanto distribuíam produtos da cantina para os agricultores; A outra tática foram as "Ações Cívico Sociais"; com distribuição de roupas, remédios e utensílios, além de uma maciça propaganda antiguerrilheira.
Militarmente, nas duas primeiras campanhas as Forças Armadas sofreram pesadas baixas.Na terceira campanha, porém, a repressão passou a usar pequenos contigentes de cinco a sete soldados que entravam pela mata, com grande poder de fogo, bem treinados, apoiados por rádios, helicópteros (o "Sapão") e até aviões que, segundo um guia, tinham
A LUTA CONTINUA

A Guerrilha do Araguaia foi sem dúvida a mais avançada forma de resistência do povo brasileiro à ditadura militar em seu momento mais negro. Durante três anos, de 1972 até meados de 1974, toda uma região do interior foi conflagrada por uma guerra revolucionária, em que combateram as Forças guerrilheiras do Araguaia, dirigidas pelo Partido Comunista do Brasil, e todo o aparelho militar e policial do regime, que mobilizou aproximadamente 20 mil homens.
Sua importância, portanto, projeta se na história. Marca o encontro de classe operária, através de seu partido e sua ideologia, com as massas camponesas de nossos Sertões. E mais, continua a fazer a história da luta revolucionária do povo brasileiro até nossos dias.

VITÓRIA DOS CAMPONESES

Hoje, em todo o Sul do Pará, desenvolve se um dos movimentos de massas mais ricos do Brasil. Milhares de camponeses erguem seus punhos, e não raro as armas, para lutar pelo seu direito à terra, levantando se contra o latifúndio, os, grandes grupos econômicos.
Particularmente neste último ano, os camponeses da área obtiveram importantes vitórias. No Baixo Araguaia, onde se implantou o Destacamento C da Guerrilha, dos Caianos, mais de 250 mil hectares de terra já foram apropriadas pelo povo, numa verdadeira guerrilha das massas. Só nos últimos 12 meses mais de 30 pessoas, na grande maioria pistoleiros, morreram neste conflito. A Guerrilha do Araguaia foi, incontestavelmente, a sementeira desta extraordinária luta camponesa.
As ligações entre os dois movimentos não são mecânicos. Às vezes, lideranças camponesas atuais nem percebem esta relação. Mas foi no contato estreito, amiudado, continuado das massas com os militantes do PC do Brasil, vivendo e participando numa verdadeira guerra, que os lavradores foram buscar sua lição mais importante: para conquistar o seu direito precisam lutar, mesmo que a luta seja uma guerra.

TERRA DA LIBERDADE

Quando os familiares dos mortos e desaparecidos na Guerrilha, em sua histórica viagem ao Araguaia, entraram no povoado de Boa Vista, antigo Caianos, fundado pelo comandante guerrilheiro Paulo Rodrigues, os camponeses gritavam a plenos pulmões: "Esta é a terra da liberdade, nós estamos colhendo a semente que eles plantaram;" Não poderia haver prova mais viva da Importância da Guerrilha.
A Guerrilha ainda está para ser devidamente estudada. 0 conhecimento que temos dela é ainda muito precário, suas lições são pouco conhecidas. Não há dúvidas, nela houve grandes debilidades, deficiências, erros políticos e militares. Mas também não há dúvidas de que criticas que muitas vezes lhe fazem tem o sabor de uma visão direitista da revolução brasileira, que nega o papel das massas camponesas.
A Guerrilha do Araguaia ë hoje mais do que uma capitulo da história. Ê uma palavra de ordem, uma bandeira que tremula altaneira, uma estrela que brilha na noite escura, uma esperança para milhões, uma chama que infunde terror aos generais. Seus mártires, como disse José Duarte, não morreram nem foram enterrados. Foram plantados nas terras úmidas e generosas do Araguaia, no coração do povo, como exemplos de revolucionários.

O SOL QUE BRILHA
Mas esta importância não se limita ao movimento camponês do Sul do Pará. A Guerrilha do Araguaia é o repositório mais importante da luta armada do povo brasileiro pela sua libertação. Confirmou que esta luta é viável para combater o regime tirânico em nosso pais. Pouco mais de meia centena de revolucionários, com apoio e participação das massas foram capazes de enfrentar durante quase três anos o Exército, a Marinha, a Aeronáutica, o diabo.

quinta-feira, 5 de abril de 2007

Heróis de Lula escravizam trabalhadores e índios

Recentemente o Presidente Lula chamou os usineiros de heróis nacionais, mesmo que todos saibam que eles estão mais próximos de seus antepassados “capitães-do-mato”. Em uma das maiores operações deste ano, o Grupo de Fiscalização, da Delegacia Regional do Trabalho em Mato Grosso do Sul, resgatou 409 trabalhadores em situação degradante, no canavial da Destilaria Centro Oeste Iguatemi Ltda (Dcoil), usina de álcool localizada em Iguatemi.

Fiscalização resgata 409 trabalhadores, entre eles 150 índios

É uma das maiores operações deste ano, o Grupo de Fiscalização, da Delegacia Regional do Trabalho em Mato Grosso do Sul, resgatou 409 trabalhadores em situação degradante, no canavial da Destilaria Centro Oeste Iguatemi Ltda (Dcoil), usina de álcool localizada em Iguatemi. Entre eles, havia 150 índios que dormiam nas dependências da companhia, em um alojamento superlotado. Os fiscais apuravam denúncia de trabalho irregular contra a empresa feita na Procuradoria Regional do Trabalho. O proprietário da Dcoil, Nelson Donadel, pagará multa e indenizações em valores ainda a serem apurados. Os índios foram retirados do local no dia 28 e voltaram para as suas aldeias. A área de plantação da cana foi interditada até que a empresa tome medidas para se adequar às normas de segurança e saúde do trabalho.No total, a usina tinha 540 empregados, a maior parte com registro em carteira. Destes, 409 trabalhavam no corte da cana. Um grupo estava na usina desde janeiro, recebendo salário médio de R$ 400. A maior parte - inclusive os indígenas - foi contratada em março e não havia recebido rendimentos ainda. De acordo com o coordenador do grupo, Wallace Faria Pacheco, os trabalhadores eram da região de Naviraí (MS) e todos os dias eram transportados até a usina para cumprir jornada das 6h às 16h. Os 150 índios, das etnias guarani e terena, ficavam na propriedade e dormiam num alojamento de alvenaria construído para abrigar 50 pessoas. "Eles dormiam amontoados num lugar onde não havia janelas e nem instalação sanitária para abrigar tanta gente", conta o fiscal Pacheco. De acordo com ele, a administração da usina também colocou em risco a vida dos empregados ao reunir, num só lugar, índios de etnias diferentes, motivo de causa de conflitos entre eles. "Isso demonstra um desconhecimento da questão cultural indígena". Já há relatos de brigas que estão sendo apurados.Segundo Pacheco, as condições de trabalho encontradas na lavoura de cana eram absolutamente precárias. O empregador não fornecia Equipamento de Proteção Individual (EPI) a todos os trabalhadores, que cumpriam longa jornada em um sol escaldante, sem luvas, óculos, botinas e proteção para a cabeça, como determinam as normas trabalhistas. Não havia banheiros móveis na plantação e nem água tratada e comida ao longo do dia. "As pessoas eram obrigadas a beber a água quente guardada em gamelas que elas próprias traziam", diz o fiscal. Alguns trabalhadores foram afastados por dores no corpo e pelo menos um índio estava sem trabalhar para tratar de um corte no pé feito durante o trabalho.O grupo - composto por cinco auditores fiscais, dois procuradores do trabalho e três policiais federais - prossegue os trabalhos em Mato Grosso do Sul até o próximo dia 2. Os empregados terão os contratos rescindidos e receberão três parcelas do seguro-desemprego, no valor de um salário mínimo, conforme previsto na Lei 5.864/2002.Foi aberto um processo administrativo decorrente dos autos de infração. Se ficar provado que o empregador mantinha trabalhadores em condição análoga à escravidão, seu nome será incluído no Cadastro de Empregadores, conhecido como "lista suja", que contém até o momento 166 nomes. Fonte: MTE

quarta-feira, 4 de abril de 2007

Exaltando Marabá

Uma Homenagem à Marabá e ao amigo Derze.......


No Alvorecer da madrugada,
Te vejo linda e encantadora,
Terra beleza, Terra magia,
Terra da Noite, Terra do Dia.

Quando os teus rios flutuantes,
cobrem o teu corpo nas enchentes
ameaçando, os arredores
com tuas águas barracentas.

As tuas praias freqüentadas,
Tucunaré, Geladinho e outras mais,
Cervejas bem geladas
com gostosas pescadas assadas,
A beira dos teus rios,
curtindo na enseada
as belezas da natureza
deste torrão natal.

Ès mestiço de Índio e Branco.
Mayrabá és Marabá,
Marco sul do Pará,
Tua gloria, riqueza e potencia
és cantada em versos e prosa
respeitada por excelência
por esta imensa nação.

Marabá, Dia a tua História.
Teve muitas árvores e castanhais,
Pedras brilhantes e preciosas
que hoje não existem mais.

Ès orgulho de um povo,
Bravo, forte e de beleza,
sabiamente o poeta verseja
que ninguém duvide da natureza,
que engrandece com sua realeza,
a juventude desta terra amada.

Cidade santa de São Felix,
Marabá, és orgulho da tua gente,
mesmo com as enchentes e queimadas.
Que em tua existência, aos 93 anos,
continuas alegre, triste e gentil
Parabéns, Marabá, que deus te abençoe:
Este povo tão varonil.

J. Derze Bastos